Quem é fã de salada ou come por obrigação sabe que lavá-las em casa antes do consumo é um ato obrigatório para evitar contaminações. O grande problema é comer os vegetais na rua. Apesar de esperarmos que todos os restaurantes sigam as normas de segurança impostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nem sempre isso acontece, deixando o consumidor em risco.
Quando não são manipuladas e armazenadas de acordo com o controle indicado de higiene e temperatura, saladas prontas servidas em restaurantes, bufês, cafés ou delivery podem sofrer contaminação microbiológica – ou seja, apresentar a presença e proliferação de microrganismos.
“Verduras cruas são alimentos preparados sem cozimento (prontos para consumo), o que facilita a sobrevivência e multiplicação de microrganismos se as boas práticas não forem aplicadas em toda cadeia de produção. Alimentos prontos para consumo devem ser mantidos sob refrigeração adequada e protegidos contra qualquer forma de contaminação”, aponta o nutricionista Wesley Santana, membro do Conselho Federal de Nutrição (CFN).
Uma das principais formas de contágio é a contaminação cruzada. Ela acontece quando alimentos prontos entram em contato com outros crus, utensílios ou superfícies sem a higienização adequada por descuido do manipulador. O uso de água contaminada também pode causar prejuízos.
“A ausência dessas medidas de controle favorece a proliferação de microrganismos patogênicos capazes de causar doenças transmitidas por alimentos (DTAs), caracterizadas por quadros gastrointestinais graves, podendo evoluir para complicações sistêmicas em indivíduos vulneráveis”, alerta Santana.
Como detectar que a salada pode estar contaminada
- Estar atento à temperatura: saladas prontas devem ser mantidas em ambientes frios (preferencialmente abaixo de 5°C); caso contrário, tem grande risco de contaminação.
- Analisar o local de exposição: além de evitar saladas sem proteção adequada, é recomendável não ingerir aquelas dispostas próximas ao calor ou com utensílios para pegá-las mal higienizados.
- Olhar a aparência da salada: se as folhas estiverem frescas, sem sinais de murchamento, excesso de água ou odor desagradável, elas estão boas para o consumo.
Consumi uma salada contaminada. O que pode acontecer?
Ao ingerir saladas contaminadas, o indivíduo fica vulnerável a diversos agentes infecciosos presentes no alimento e que podem causar reações adversas. Entre os principais patógenos, estão:
- Escherichia coli: pode causar diarreia, cólicas abdominais e, em casos graves, insuficiência renal;
- Salmonella spp.: responsável por causar salmonelose, gerando sintomas como febre, diarreia e vômitos;
- Listeria monocytogenes: é menos comum, mas é capaz de sobreviver a baixa temperaturas e causar listeriose – uma condição grave para gestantes, idosos e imunocomprometidos devido ao sistema imunológico mais comprometido desses grupos;
- Norovírus: a contaminação pode causar gastroenterite aguda;
- Giardia duodenalis: pode causar giardíase, caracterizada por diarréia persistente, dor abdominal, gases, náuseas, perda de peso e má absorção de nutrientes;
- Entamoeba histolytica: pode causar amebíase intestinal, com diarreia, cólicas e, em casos graves, comprometimento hepático.
- Ascaris lumbricoides, Trichuris trichiura e Ancylostoma spp.: podem contaminar verduras irrigadas com água inadequada ou cultivadas em solo contaminado, causando anemia, dor abdominal, diarreia e prejuízos ao estado nutricional.
“Quando a gente fala de saudabilidade alimentar, uma das principais preocupações é a presença de patógenos nos alimentos. Essa contaminação pode ocorrer em qualquer etapa do processo, desde a manipulação ainda na colheita, passando pelo transporte, até o armazenamento”, afirma o médico nutrologista Celso Cukier, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo.
Dicas para comer salada fora de casa em segurança
Na hora de encher o prato de folhas, algumas dicas são essenciais. Por exemplo, ao comer salada fora de casa, a opção mais segura é pedir as preparadas na hora, visto que elas ficam menos tempo expostas, diminuindo o risco de proliferação de microrganismos.
Outra boa alternativa é optar por saladas compostas por legumes cozidos e grelhados, como brócolis e cenoura. O processo térmico reduz o risco de agentes infecciosos. Alface e rúcula costumam ter mais risco de contaminação, enquanto acelga e espinafre menos, se manuseados corretamente.
Em tempo de férias e verão, também é importante estar atento às altas temperaturas. “Em dias quentes, esses microrganismos se proliferam com muito mais facilidade. Por isso, é preciso redobrar os cuidados no verão e optar por locais conhecidos, que tenham inspeção dos órgãos fiscalizadores”, ensina Cukier.