O acidente vascular cerebral (AVC) ocorre quando vasos que transportam o sangue ao cérebro entopem ou se rompem, prejudicando a circulação em áreas importantes. A condição é considerada mais comum em indivíduos acima de 45 ou 55 anos. No entanto, a incidência de casos precoces, em pessoas abaixo dos 45 anos, tem aumentado e o consumo de álcool é um dos fatores responsáveis.
Uma constatação da relação entre a condição e o alcoolismo vem de um estudo recente. Segundo o trabalho, pessoas que consomem quantidades grandes de álcool por semana têm risco 57% maior de sofrer um AVC em comparação a quem não tem o hábito como rotina. A pesquisa foi liderada pelo hospital Mass General Brigham, nos Estados Unidos, publicada na revista Neurology em meados de novembro.

Como o consumo de bebidas alcoólicas é alto entre os mais jovens, a prática influencia o risco do aparecimento de doenças anteriormente mais ligadas à terceira idade.
“De fato, o número de AVCs nessa faixa etária tem aumentado, e já existem dados estatísticos que evidenciam isso. Em parte, esse aumento parece estar relacionado ao crescimento de fatores de risco nessa população, como obesidade, hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, doenças cardíacas, sedentarismo e questões alimentares inadequadas”, aponta a neurologista Luciana Barbosa, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília.
Quando ingeridas em excesso, as bebidas alcoólicas podem elevar a pressão arterial, aumentando o risco de arritmias, alterações na coagulação do sangue, diabetes, obesidade e inflamação vascular. “Quando presentes no paciente, esses fatores aumentam o risco de AVC”, alerta a neurologista Thaís Augusta Martins, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.
Para especialistas, o consumo exagerado é aquele que excede mais doses diárias ou a ingestão de mais de cinco doses em um único dia, especialmente aos finais de semana.
Sintomas de AVC que exigem ação imediata
- Fraqueza.
- Dificuldade para mover um lado do corpo.
- Boca torta.
- Fala enrolada.
- Dificuldade para encontrar palavras.
- Tontura.
- Alteração de equilíbrio.
- Perda parcial da visão.
Hábitos associados ao álcool que aumentam risco
Apesar de ser um fator que necessita atenção, as bebidas alcoólicas não agem sozinhas para aumentar o risco da doença. Quando associados a obesidade e sedentarismo, rotina alimentar desregulada e tabagismo, o AVC tem mais chances de se desenvolver. Fatores como mudanças no colesterol e doenças cardíacas também atrapalham.
Um dos principais problemas relacionados ao álcool é a alteração no sistema nervoso central, diminuindo o discernimento e provocando a realização de atividades perigosas ao organismo.
“O consumo de álcool pode vir acompanhado de maus hábitos de vida como tabagismo, privação de sono, alimentos ricos em sal e ultraprocessados (aperitivos), sedentarismo e uso concomitante de drogas ilícitas. Esses fatores, quando presentes no paciente, aumentam o risco de AVC”, ressalta Thaís.
Afinal, existe uma dose segura de álcool quando se fala em AVC?
A princípio, o ideal para evitar riscos seria não beber. Porém, a grande verdade é que o hábito é bastante apreciado por muitos. Por isso, os especialistas recomendam consumir álcool em baixas quantidades e, de preferência, apenas em datas específicas, como aniversários ou comemorações.
Barbosa aponta que apesar da ingestão em poucas doses não ser isenta de riscos para outras áreas do corpo, o consumo também pode trazer benefícios psicológicos e sociais.
“Tudo precisa ser ponderado. Tomar uma taça de vinho em uma comemoração ou em um jantar não significa que a pessoa esteja prejudicando sua saúde. O problema está na constância e na quantidade ingerida ao longo do tempo”, diz o neurologista.










