O coma, uma das situações que representam maior gravidade da medicina, é um estado em que a pessoa perde totalmente a consciência e não consegue acordar. O paciente não fala, não abre os olhos e não reage a estímulos como voz, toque ou dor. Diferente do sono, o corpo não desperta sozinho, mesmo depois de várias horas ou dias.
Essa condição acontece quando o cérebro deixa de funcionar de forma adequada, seja por lesões diretas, falta de oxigênio ou alterações graves no organismo. Por isso, o coma é sempre tratado como uma emergência médica. A causa pode variar bastante, e a chance de recuperação está ligada ao motivo que levou ao quadro e à rapidez com que o atendimento começa.
“O coma representa uma falha grave nos sistemas que mantêm a vigília e a consciência. A pessoa não apenas dorme profundamente, mas perde a capacidade de perceber o ambiente e de responder a qualquer estímulo, o que indica um comprometimento significativo do cérebro”, explica a neurologista Siane Prado Lima Souza, do Hospital Brasília Águas Claras, da Rede Américas.
O que acontece no cérebro durante o coma
Para que alguém esteja acordado, o cérebro precisa manter duas funções ao mesmo tempo: ficar desperto e conseguir perceber o que acontece ao redor. Com essas funções ativadas, a pessoa abre os olhos, reage, entende estímulos e responde ao ambiente.
No coma, o cérebro fica desacordado e inconsciente, já que as áreas responsáveis por “ligar” o estado de alerta param de funcionar. Sem esse comando, o cérebro não consegue despertar o corpo nem processar o que acontece ao redor.
Por isso, a pessoa não acorda, não responde a estímulos e não tem percepção do que acontece à sua volta, mesmo com os olhos fechados ou abertos. É como se o cérebro não conseguisse mais “ligar” o modo de vigília. O corpo continua funcionando, mas a consciência fica desligada.
Principais causas que levam ao coma
Entre as causas mais comuns estão o acidente vascular cerebral (AVC), o traumatismo craniano e as infecções do sistema nervoso central, como meningite e encefalite. Tumores, sangramentos no cérebro e crises epilépticas também podem provocar o coma.
Além disso, problemas que afetam todo o organismo podem levar ao quadro. Quedas importantes da glicose, falta de oxigênio, alterações químicas no sangue, falência do fígado ou dos rins e intoxicações por álcool, drogas ou medicamentos estão entre os fatores que podem provocar o estado.
O que os médicos checam nos primeiros minutos
Chegando na emergência, o foco principal é garantir que o paciente continue vivo. A equipe vê se a pessoa consegue respirar, se o coração está funcionando e se o sangue está circulando como deveria.
Também são checados sinais vitais e o nível de açúcar no sangue, já que alterações rápidas podem levar à perda de consciência. Depois disso, os médicos avaliam o grau de consciência para entender a gravidade do quadro.
Se o paciente não consegue respirar sozinho ou não tem reflexos para proteger a própria via aérea, pode ser necessário colocar um tubo para ajudar na respiração.
“Na emergência, o tempo é decisivo. Nos primeiros minutos, a equipe precisa identificar causas reversíveis, como hipoglicemia, falta de oxigênio ou intoxicações, porque a correção rápida dessas condições pode mudar completamente o desfecho do paciente”, orienta o médico emergencista Yuri Castro, de São Paulo.
Exames que ajudam a definir gravidade e causa do coma
Depois da avaliação inicial, os médicos pedem exames para descobrir o que causou o coma e quão grave é a situação. Esses testes ajudam a orientar o tratamento e a definir os próximos passos.
A tomografia do crânio costuma ser o primeiro exame solicitado, porque consegue mostrar de forma rápida se há sangramento ou outras alterações no cérebro. Em alguns casos, a ressonância magnética é usada para ver lesões com mais detalhes.
Outros exames também entram, como o eletroencefalograma, que avalia a atividade do cérebro, e exames de sangue, que identificam problemas como alterações químicas ou falhas no funcionamento de órgãos.
Coma sempre deixa sequelas?
Estar em coma não significa, necessariamente, que haverá danos permanentes. Em muitos casos, a causa pode ser tratada, principalmente quando o atendimento acontece logo nas primeiras horas.
A recuperação depende de vários fatores, como o motivo que levou ao coma, o tempo em que o cérebro ficou comprometido e a resposta do organismo ao tratamento.
Algumas pessoas acordam sem sequelas, enquanto outras podem ter dificuldades neurológicas ou permanecer com algum nível de consciência reduzido. Por isso, identificar rápido a causa e iniciar o cuidado faz toda a diferença para o paciente.