Considerada uma doença endêmica no Brasil, a meningite registra casos ao longo de todo o ano, com surtos e epidemias ocasionais. A condição exige atenção especial porque pode evoluir rapidamente e provocar complicações graves quando o diagnóstico não é feito a tempo.
O que é a meningite
- A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal.
- A doença pode ser causada por vírus, bactérias ou fungos, sendo que cada forma apresenta gravidade e evolução diferentes.
- Entre as meningites bacterianas, a meningite meningocócica, provocada pela bactéria Neisseria meningitidis, é considerada uma das mais perigosas. Isso ocorre porque o quadro costuma evoluir de forma rápida e está associado a taxas elevadas de complicações e letalidade.
- Apesar de ser habitualmente causada por microrganismos, a meningite também pode ter origem em processos inflamatórios, como câncer (metástases para meninges), lúpus, reação a algumas drogas, traumatismo craniano e cirurgias cerebrais
Segundo o Ministério da Saúde indicam que as meningites bacterianas são mais frequentes nos meses de outono e inverno, enquanto as virais aparecem com maior incidência na primavera e no verão. O sexo masculino também concentra maior número de casos da doença.
A transmissão acontece principalmente por meio de secreções respiratórias e pelo contato direto entre as pessoas. “Em meses mais frios, as pessoas tendem a ficar mais próximas em ambientes fechados, o que facilita a troca de secreções respiratórias e, consequentemente, aumenta a transmissão”, alerta Thaís Helena Otto da Silva, professora do Centro Universitário de Pinhais (Fapi) e médica de Saúde da Família.
Sintomas da meningite
Os sinais mais comuns da doença incluem febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa e rigidez no pescoço. Náuseas, vômitos, sonolência excessiva, sensibilidade à luz e manchas avermelhadas na pele que não desaparecem ao serem pressionadas também podem estar presentes.
Em bebês e crianças pequenas, os sintomas costumam ser mais sutis. Choro persistente e irritado, recusa para mamar e abaulamento da moleira estão entre os principais sinais de alerta.
“A diferença para uma virose comum está na intensidade e na rápida piora do quadro. Uma gripe tende a melhorar em poucos dias, enquanto a meningite costuma se agravar rapidamente e pode ser fatal se não for reconhecida a tempo”, explica o infectologista Felipe Moreno, do Hospital Evangélico de Sorocaba.
Por se tratar de uma doença que pode evoluir de forma acelerada, o diagnóstico precoce é determinante para evitar sequelas. A meningite bacteriana é considerada uma emergência médica e pode causar surdez, convulsões, danos neurológicos permanentes e até levar à morte.
“O diagnóstico rápido e o início precoce do antibiótico fazem toda a diferença no desfecho do paciente”, reforça Felipe.
Vacinação é a principal forma de prevenção
Apesar da gravidade, a meningite pode ser evitada. “A vacinação é a principal e mais eficaz ferramenta de prevenção contra as formas mais graves de meningite bacteriana”, afirma Marcelo Ducroquet.
As vacinas disponíveis no calendário nacional protegem contra diferentes agentes causadores da doença, como meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae. Além da imunização, especialistas recomendam medidas simples no dia a dia, como não compartilhar copos e talheres, lavar as mãos com frequência, cobrir a boca e o nariz ao tossir e manter os ambientes bem ventilados.
“Quando há um caso confirmado, pessoas que tiveram contato próximo podem precisar de antibiótico preventivo, sempre indicado pelo médico. Informação e prevenção salvam vidas. A meningite é grave, mas pode ser evitada com atitudes simples e com a vacinação em dia”, conclui Felipe.