Um estudo brasileiro descobriu que a proteína de fava tem potencial para se tornar uma alternativa ao whey protein no futuro. Para a pesquisa, os pesquisadores desenvolveram um shake proteico à base da leguminosa. A escolha do alimento como matéria-prima se deu após uma análise nutricional e tecnológica.
Além de passar nos testes sobre os efeitos fisiológicos no organismo, a proteína de fava teve boa avaliação na capacidade sensorial alimentar, um atributo essencial para ser aceito pelo público.
O trabalho foi liderado pela pesquisadora Priscila Dabaghi, professora da Universidade Positivo, no Paraná. A pesquisa também contou com a ajuda da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, para realizar testes avançados de digestibilidade.
“Existe uma tendência global de diversificação das fontes proteicas. A fava se destaca por características nutricionais interessantes e por ainda ser pouco explorada no mercado nacional”, explica Priscila em comunicado.
Potencial da proteína de fava
Para testar a capacidade sensorial do shake, os pesquisadores o compararam com mais dois produtos já existentes no mercado: um feito de proteínas vegetais à base de ervilha e arroz e o whey protein tradicional. O de fava superou ambos em sabor, textura, aroma e aparência.
Investigações posteriores mostraram que o consumo do shake proteico de fava teve resultados melhores para o controle glicêmico em pessoas com diabetes tipo 2 do que o whey protein. Em comparação ao suplemento, a fava causou menos picos de glicose no sangue.
De acordo com a pesquisadora, os resultados mostram que a proteína de fava pode ser uma alternativa não só para quem busca ganhos esportivos.
“Proteínas de boa qualidade fornecem aminoácidos essenciais para diferentes funções do organismo, como manutenção da massa muscular, resposta imunológica e recuperação clínica. Os resultados mostram que a proteína de fava pode ter aplicações que extrapolam a nutrição esportiva”, diz Priscila.
No Brasil, a proteína de fava ainda é pouco comercializada, mas a nova descoberta tem potencial para mudar o cenário. “Os resultados reforçam o potencial da proteína de fava como uma alternativa viável, inovadora e promissora, tanto do ponto de vista científico quanto mercadológico”, acrescenta a pesquisadora.