Dan Stulbach vive um desafio marcante nos palcos ao protagonizar uma adaptação de O Mercador de Veneza, clássico escrito por William Shakespeare no início do século XVII. O espetáculo já passou por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Curitiba e retorna a Brasília para novas apresentações entre 15 e 18 de janeiro.
Na montagem, o ator interpreta Shylock, um agiota judeu que empresta dinheiro ao mercador Antônio e se vê envolvido em uma negociação que culmina em um julgamento dramático. A trama expõe tensões entre justiça e preconceito, tema que ganha um significado particular para Stulbach, descendente de uma família judia.
“A história é muito boa, é muito emocionante, é engraçada e continua atual. É infelizmente atual porque os assuntos continuam em voga: a dificuldade de ouvir uma opinião diferente, de aceitar uma pessoa diferente de você, o preconceito com as religiões, com a sexualidade, com a mulher”, pontua.
Conhecido principalmente pelos trabalhos na televisão, o ator já relatou que não teve uma criação religiosa. Ainda assim, incentivado pelo avô paterno, passou pelo Bar Mitzvah, ritual judaico semelhante à primeira comunhão dos católicos. Embora tenha nascido no Brasil, o antissemitismo marcou profundamente a trajetória da família, vinda da Polônia.
“Eu nunca vivi o antissemitismo de um modo direto. Meu pai viveu, meu avô viveu. Meu avô tinha que estudar em pé, porque os judeus não podiam sentar, isso na Polônia”, relata. “Minha mãe, o pai dela foi fuzilado. Meus pais são poloneses, então tem uma história de guerra, de preconceito muito forte na minha família.”

A estreia da peça em Brasília ocorreu em 18 de dezembro, poucos dias após um atentado que deixou 15 mortos durante uma celebração judaica em Sydney, Austrália. O episódio acrescentou ainda mais peso às reflexões provocadas pelo texto de Shakespeare e levou o ator a pensar sobre o papel da arte diante da intolerância.
“Essas pessoas foram mortas porque eram judias. Não há nenhum outro motivo em uma outra causa”, declarou. “As pessoas sofrendo de preconceito por serem quem elas são, eu acho que é uma falência da nossa humanidade.”
O ator defende que o teatro pode ser uma ferramenta essencial para provocar reflexão e empatia. “E isso vale para todos, para os gays, para as mulheres, para os negros”, afirma. “Então, acho que a arte tem um lugar fundamental nessa construção de uma coexistência melhor.”
Serviço
O Mercador de Veneza
Local: CAIXA Cultural Brasília – Setor Bancário Sul – Quadra 4, Lotes 3/4
Data: 15 a 18 de janeiro de 2026
Horários: quintas e sextas, às 20h30 | sábados, às 17h e 20h | domingos, às 16h e 19h.
Ingressos: a partir de 10 de janeiro na bilheteria do teatro ou pelo site Bilheteria Cultural Classificação Indicativa: 12 anos




