O início do ano costuma vir acompanhado da tentativa de retomar o equilíbrio depois dos excessos das festas. Além de voltar a comer de forma mais equilibrada e praticar atividade física, o consumo de chás também pode ser um aliado nesse processo.
Entre as opções, o chá de jasmim, preparado a partir do chá verde ou branco aromatizado com flores da planta, tem chamado atenção por reunir compostos associados a benefícios metabólicos e digestivos.
Segundo o nutricionista Guilherme Lopes, do Hospital Mantevida, a combinação concentra catequinas, polifenóis e substâncias voláteis responsáveis pelo perfume suave da infusão.
“Esses compostos ajudam a reduzir processos inflamatórios, combatem o estresse oxidativo, favorecem a saúde cardiovascular e promovem sensação de relaxamento sem provocar sedação excessiva”, explica.
A nutricionista Risoneide Calazans, diretora do Conselho Federal de Nutrição, lembra que o uso do jasmim vai além do sabor. “Na China e na Tailândia, a flor é tradicionalmente utilizada no cuidado de condições como gastrite, diarreia e inflamações, além de ser valorizada por efeitos analgésicos, relaxantes e estimulantes”, afirma.
Ação sobre o metabolismo
O chá de jasmim pode contribuir de forma indireta para o metabolismo, especialmente quando tem como base o chá verde. As catequinas presentes na bebida, como a epigalocatequina galato (EGCG), associadas a pequenas quantidades de cafeína, estão relacionadas ao estímulo da termogênese e à oxidação de gorduras.
Risoneide pondera que os dados ainda precisam ser interpretados com cautela. Segundo ela, as evidências em humanos são limitadas, embora estudos em modelos animais indiquem efeitos positivos.
“A combinação de cafeína e compostos bioativos pode aumentar o gasto energético e ajudar no metabolismo das gorduras”, explica.
Ela acrescenta que essas substâncias também podem atuar na regulação de processos metabólicos no fígado e no tecido adiposo, além de contribuir para a redução de inflamações associadas a distúrbios metabólicos.
“Não se trata de um efeito milagroso, mas de um possível apoio quando o chá é inserido dentro de uma rotina com alimentação equilibrada e atividade física”, ressalta a nutricionista.
Relação com a saúde intestinal
Além da atuação metabólica, o chá de jasmim também pode influenciar o funcionamento do intestino. Lopes explica que parte dos polifenóis presentes na bebida não é totalmente absorvida no intestino delgado.
“Esses compostos chegam ao cólon e servem como substrato para bactérias benéficas, o que pode favorecer o equilíbrio da microbiota e reduzir inflamações de baixo grau”, afirma.
Esse efeito indireto ajuda a explicar por que a bebida costuma ser associada à melhora da saúde digestiva e metabólica, especialmente quando inserida em uma alimentação equilibrada.
Como preparar o chá de jasmim?
Para preservar os compostos ativos, o modo de preparo faz diferença. A infusão deve ser feita com água quente, mas não fervente.
“O ideal é usar água entre 70 °C e 80 °C e deixar em infusão por dois a três minutos. Temperaturas muito altas ou tempo excessivo podem degradar os polifenóis e aumentar o amargor”, explica o especialista.
Risoneide reforça que o consumo deve ser moderado. “Por conter cafeína, o chá pode causar agitação em pessoas sensíveis. Em excesso, também pode provocar desconforto intestinal”, alerta.
Contraindicações e cuidados
Apesar dos possíveis benefícios, o chá de jasmim não é indicado para todos. Gestantes, lactantes e pessoas com alergia à planta devem evitar o consumo em quantidades terapêuticas sem orientação profissional. “Também há risco de interação com anticoagulantes, anti-hipertensivos e anticoncepcionais”, aponta Risoneide.
Guilherme acrescenta que pessoas com gastrite ativa, refluxo intenso, arritmias, ansiedade ou sensibilidade à cafeína devem ter cautela.
“O chá pode interferir levemente na absorção de ferro quando consumido junto às refeições e não deve ser usado próximo ao horário de medicamentos estimulantes ou ansiolíticos sem orientação”, afirma.