A temporada de premiações do cinema funciona como uma corrida estratégica e, em 2026, o Brasil entra forte na disputa com O Agente Secreto. O longa deixou o Globo de Ouro com dois prêmios nesse domingo (11/1), reacendendo as expectativas para o Oscar, cuja cerimônia está marcada para 15 de março.
Estrelado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto venceu como Melhor Filme em Língua Não Inglesa e garantiu a estatueta de Melhor Ator em Filme de Drama ao protagonista. As conquistas reposicionam o filme na corrida pelo prêmio da Academia.
O cinema brasileiro atravessa um momento de destaque nas premiações internacionais. Em 2024, Fernanda Torres tornou-se a primeira brasileira a vencer o Globo de Ouro de Melhor Atriz por Ainda Estou Aqui. A vitória foi decisiva para o filme de Walter Salles conquistar três indicações ao Oscar.
O cenário atual guarda semelhanças, ainda que com particularidades. O Agente Secreto integra a lista dos 15 pré-selecionados pela Academia nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco. O longa ainda pode aparecer em disputas como Melhor Ator, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Filme, cujos indicados serão anunciados em 22 de janeiro.
Desde 1965, 22 filmes venceram tanto o Globo de Ouro quanto o Oscar na categoria de produções internacionais, o que representa uma taxa de coincidência de 36,7%. Em 2024, Ainda Estou Aqui foi indicado nas duas premiações, mas venceu apenas no Oscar, mostrando que os caminhos nem sempre são idênticos.

Desafios e reviravoltas
Antes do Globo de Ouro, Wagner Moura enfrentava um momento desafiador na campanha do filme. O ator não foi indicado ao SAG Awards, premiação do sindicato dos atores, o que esfriou as projeções. A ausência levou a revista Variety a retirar a aposta de que ele venceria o Oscar de Melhor Ator.
No ano anterior, Fernanda Torres também ficou fora do SAG Awards e, ainda assim, conquistou uma indicação ao Oscar. O prêmio acabou ficando com Mikey Madison, por Anora. Vale destacar que o SAG indicou apenas performances em língua inglesa.
As vitórias no Globo de Ouro mudam esse cenário e fortalecem a posição de O Agente Secreto. O filme brasileiro superou fortes concorrentes como o norueguês Valor Sentimental, apontado como um dos favoritos entre as produções estrangeiras. No Critics Choice, o longa do Brasil também venceu como Melhor Filme Internacional.
“Toda essa premiação ajuda. A gente costuma dizer que cada coisa é um tijolinho nessa construção e o Globo de Ouro é um tijolão. É o prêmio da imprensa, e que pauta muito o Oscar. (…) A gente ser visto, falado, prestigiado, esse filme ser apreciado. E uma vez sendo um filme bom, ele vai ser votado. Não basta ser um filme bom, tem que ser visto, tem que estar na pauta”, avaliou a especialista em cinema Flávia Guerra ao Acorda, Metrópoles.

O Globo de Ouro ainda trouxe reviravoltas para outros candidatos a Melhor Filme Internacional no Oscar. Valor Sentimental, que disputava oito categorias, saiu com apenas o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Stellan Skarsgård. Já o iraniano Foi Apenas um Acidente deixou a cerimônia sem estatuetas, apesar de quatro indicações.
No campo da atuação, Wagner Moura superou nomes como Oscar Isaac, por Frankenstein, e Michael B. Jordan, por Pecadores. No Globo de Ouro, porém, as categorias são divididas entre drama e comédia ou musical, o que levou à consolidação de Timothée Chalamet como um dos favoritos da temporada, já que ele venceu como Melhor Ator em Drama ou Comédia por Marty Supreme.
No Oscar, todos os atores concorrem em uma única categoria. Assim, Wagner Moura pode enfrentar nomes como o próprio Chalamet e Leonardo DiCaprio, indicado por Uma Batalha Após a Outra.
Com dois prêmios no Globo de Ouro, O Agente Secreto ganha novo fôlego na corrida pelo Oscar. Uma eventual indicação a Melhor Filme, principal categoria da noite, pode chamar mais atenção dos votantes para o longa brasileiro e impulsionar o desempenho final na maior premiação do cinema.








