A linha temporal da sífilis é complicada: até hoje não se sabe se a doença chegou às Américas com Cristóvão Colombo, ou se a tripulação europeia teria sido contaminada por povos indígenas. Uma nova pesquisa, publicada na revista Science nessa quinta (22/1), adiciona mais um capítulo à discussão.
Cientistas encontraram, em um esqueleto de 5,5 mil anos descoberto na Colômbia, a bactéria Treponema pallidum, que causa a sífilis e outras doenças. Este é o exemplar mais antigo já encontrado da bactéria.
Seria uma versão antiga do patógeno, e não foram encontradas lesões relacionadas à doença nos ossos. Ainda não se sabe se a cepa era transmitida por via sexual, como ocorre atualmente.
A descoberta foi feita de surpresa. O esqueleto não tinha marcas visíveis, e estava sendo analisado para outros fins. O material genético da T. pallidum encontrado foi batizado de TE1-3 e, segundo os pesquisadores, a variante divergiu das cepas que temos hoje há cerca de 13,7 mil anos.
“As evidências genômicas atuais, juntamente com o genoma apresentado aqui, não resolvem o antigo debate sobre a origem da doença, mas mostram que existe uma longa história evolutiva de patógenos treponêmicos que já estavam se diversificando nas Américas milhares de anos antes do que se pensava”, disse a coautora do estudo, Elizabeth Nelson, antropóloga molecular da Southern Methodist University em Dallas, nos EUA, em comunicado.
O estudo continua, e os cientistas acreditam que as informações podem ajudar a lidar com a crise atual de sífilis. Apesar de ter tratamento, os números de infectados seguem em alta.