O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medida segue recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União dessa segunda-feira (12/1).
Atualmente, ela é indicada para pessoas a partir de 50 anos e também para adultos imunocomprometidos, sendo aplicada em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas.
Custo pesa na decisão
No relatório final, a Conitec reconheceu que a vacina apresenta alta proteção contra o herpes-zóster e suas complicações, como a neuralgia pós-herpética, condição marcada por dor intensa e prolongada. No entanto, o principal obstáculo identificado foi o impacto financeiro da incorporação ao SUS.
Segundo a análise, a estratégia avaliada previa a vacinação de idosos com 80 anos ou mais e de pessoas imunocomprometidas a partir de 18 anos. Para atender esse público, seriam necessárias cerca de 6,5 milhões de doses ao longo de cinco anos, o que representaria o custo estimado de R$ 5,2 bilhões para o sistema público de saúde.
Mesmo considerando negociações de preço abaixo do valor praticado na rede privada, a comissão avaliou que o investimento ainda ficaria acima do limite considerado sustentável para o SUS.
1 de 10
Popularmente conhecido como cobreiro, o herpes-zóster é uma doença infecciosa causada pelo mesmo vírus da catapora. O diagnóstico normalmente é feito com base na avaliação clínica dos sinais e sintomas do paciente, além da observação das lesões na pele
Mumemories/istock
2 de 10
A doença pode se manifestar a qualquer momento em pessoas que já tiveram catapora ou a própria herpes-zóster alguma vez na vida. O vírus permanece inativo no corpo por muitos anos, podendo ser reativado na forma mais localizada em um nervo
rbkomar/ Getty Images
3 de 10
Quando há baixa na imunidade, por exemplo, o vírus pode se replicar novamente provocando o aparecimento dos sintomas. A condição tem mais chance de aparecer também em pessoas com mais de 60 anos, que façam uso prolongado de corticoides, quimioterapia ou que tenham doenças que enfraquecem o sistema imune, como AIDS ou Lúpus
Peter Dazeley/ Getty Images
4 de 10
Para pessoas que nunca tiveram catapora ou que não foram vacinadas, a herpes-zóster é contagiosa. Portanto, crianças ou outras pessoas nunca infectadas pelo vírus devem permanecer distantes de pacientes com a doença e não ter contato com objetos pessoais do doente
Elitsa Deykova/ Getty Images
5 de 10
Entre os principais sintomas da herpes-zóster estão coceira intensa no local afetado, dor, formigamento ou queimação na região, febre baixa, bolhas e vermelhidão que afetam, principalmente, região do tórax, costas ou barriga
Chokchai Silarug/ Getty Images
6 de 10
O tratamento é feito com medicamentos anti-virais e analgésicos receitados pelo médico para aliviar a dor e cicatrizar mais rápido as feridas. Fortalecer o sistema imune pode ser uma boa estratégia de prevenção
David Sharpe / EyeEm/ Getty Images
7 de 10
Durante o tratamento também deve-se tomar cuidados como lavar diariamente a região afetada, sem esfregar, e secar bem o local. Utilizar roupa de algodão e confortável, colocar uma compressa fria de camomila sobre a região e não aplicar pomadas ou cremes sem prescrição médica
Johner Images/ Getty Images/ Getty Images
8 de 10
Entre as complicações mais comuns do herpes-zóster está a continuação da dor por várias semanas ou meses mesmo após o desaparecimento das bolhas na pele. Entre as menos comuns está a inflamação na córnea e problemas de visão, necessitando acompanhamento de um oftalmologista
KATERYNA KON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images
9 de 10
A vacina é a única forma eficiente de evitar a doença e suas complicações. Até então, o imunizante era indicada apenas para pessoas maiores de 60 anos. Contudo, recentemente, a vacina para adultos com mais de 18 anos chegou às clínicas particulares brasileiras
Andriy Onufriyenko/ Getty Images
10 de 10
A imunização é feita com duas doses, e cada uma tem o preço recomendado de R$ 843 – totalizando R$1.686 –, mas o valor pode variar entre as clínicas. A vacina não é ofertada pelo SUS
Catherine Falls Commercial/ Getty Images
Quem pode se vacinar contra herpes-zóster
Atualmente, a vacina contra herpes-zóster não é oferecida gratuitamente pelo SUS e está disponível apenas na rede privada. O esquema completo com as duas doses pode custar cerca de R$ 1,7 mil, o que limita o acesso, principalmente entre idosos e pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico.
Na portaria publicada no Diário Oficial da União, o Ministério da Saúde afirmou que a decisão não é definitiva. O órgão informou que poderá reavaliar a incorporação da vacina caso haja redução de preços, novas evidências científicas ou mudanças no cenário econômico que tornem a estratégia viável.